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Notas para a leitura de “A Hora da Estrela” de Clarice Lispector Sexta-feira, 21 Dezembro :: 2007

Posted by Fábio Pereira in Apontamentos, Aulas, Material.
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Aqui está, para aqueles que prefiram consultar a versão on-line, o texto «Notas para a leitura de “A Hora da Estrela” de Clarice Lispector» do nosso professor de Literatura Brasileira, Carlos Mendes Sousa.

Um muito obrigado ao nosso professor por disponibilizar este texto para podermos consultar via internet, não apenas nós [alunos de EPL], mas todo o mundo que se interessa por um outro mundo, que é o mundo clariciano.

 

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Carta dum Contratado – L.C. Angolanas Terça-feira, 6 Março :: 2007

Posted by E.P.L. in Material.
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Carta dum Contratado

Eu queria escrever-te uma carta
amor,
uma carta que dissesse
deste anseio
de te ver
deste receio
de te perder
deste mais que bem querer que sinto
deste mal indefinido que me persegue
desta saudade a que vivo todo entregue…
Eu queria escrever-te uma carta
amor,
uma carta de confidências íntimas,
uma carta de lembranças de ti,
de ti
dos teus lábios vermelhos como tacula
dos teus cabelos negros como dilôa
dos teus olhos doces como macongue
dos teus seios duros como maboque
do teu andar de onça
e dos teus carinhos
que maiores não encontrei por aí…
Eu queria escrever-te uma carta
amor,
que recordasse nossos dias na capôpa
nossas noites perdidas no capim
que recordasse a sombra que nos caía dos jambos
o luar que se coava das palmeiras sem fim
que recordasse a loucura
da nossa paixão
e a amargura da nossa separação…Eu queria escrever-te uma carta
amor,
que a não lesses sem suspirar
que a escondesses de papai Bombo
que a sonegasses a mamãe Kiesa
que a relesses sem a frieza
do esquecimento
uma carta que em todo o Kilombo
outra a ela não tivesse merecimento…

Eu queria escrever-te uma carta
amor,
uma carta que ta levasse o vento que passa
uma carta que os cajus e cafeeiros
que as hienas e palancas
que os jacarés e bagres
pudessem entender
para que se o vento a perdesse no caminho
os bichos e plantas
compadecidos de nosso pungente sofrer
de canto em canto
de lamento em lamento
de farfalhar em farfalhar
te levassem puras e quentes
as palavras ardentes
as palavras magoadas da minha carta
que eu queria escrever-te amor…

Eu queria escrever-te uma carta…

Mas, ah, meu amor, eu não sei compreender
por que é, por que é, por que é, meu bem
que tu não sabes ler
e eu – Oh! Desespero – não sei escrever também!

 

António Jacinto

Versão PDF, para impressão!

Literatura Portuguesa II Segunda-feira, 11 Dezembro :: 2006

Posted by Fábio Pereira in Aulas, Avisos, Geral, Material, Obras.
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Hoje, a professora de Literatura Portuguesa II disse que tinha vindo cá ver o Blog e que por acaso este não tinha uma única entrada sobre a sua cadeira. E nunca pensei nisso, por acaso, mas só depois notei que Latim também não tem qualquer entrada e porque será? Sinceramente não sei responder, pois foi o que fui escrevendo foi algo que surgia espontaneamente quase…a não ser que me pedissem para escrever algo cá. Inauguro então o primeiro post de Literatura Portuguesa II com uma informação:

A Aula de Avaliação da cadeira será no último dia de aulas, ou seja na sexta-feira dia 22. É importante que estejam todos presentes para a avaliação da cadeira poder ser feita por todos, para bem de todos.

 Já agora fiquem aqui com as obras que trabalhamos em Literatura Portuguesa…

MIRANDA, Sá de, As obras do doutor Francisco de Saa de Miranda. – Lisboa : A custa de Antonio Leite, 1677

FERREIRA, António, 1528-1569, Poemas lusitanos / do doutor Antonio Ferreira dedicado por seu filho Miguel Leite Ferreira ao Principe D. Phillippe, nosso senhor. – Em Lisboa : por Pedro Crasbeeck : a custa de Esteuão Lopez, 1598 (se quiserem a cores, formato jpeg cliquem aqui)

Quanto a Camões, incrivelmente não encontro as rimas em formato digital, apenas, e se por curiosidade quiserem dar uma espreitadela na primeira edição dos Lusíadas aqui está ela, ou em formato pdf(fotografada) ou  em formato doc(toda escrita num documento word), e não se assustem pois em formato doc a primeira página está escrita em inglês, mas o resto é mesmo o portuguesíssimo “Os Lusíadas”.

Literatura e Nacionalidade Sexta-feira, 24 Novembro :: 2006

Posted by Fábio Pereira in Aulas, Material, Obras.
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A obra que agora estamos a trabalhar é “O Livro de Cesário Verde”. E mais uma vez encontrei umas coisas engraçadas. Em baixo têm o poema que demos na aula passada e que ainda vamos acabar de ler na próxima aula.

Livro em PDF (Fotografado), 1ª Edição

 

Livro em PDF(Texto), 1ª Edição

O SENTIMENTO DE UM OCIDENTAL

Nas nossas ruas, ao anoitecer,
Há tal soturnidade, há tal melancolia,
Que as sombras, o bulício, o Tejo, a maresia
Despertam-me um desejo absurdo de sofrer.

O céu parece baixo e de neblina,
O gás extravasado enjoa-me, perturba-me;
E os edifícios, com as chaminés, e a turba
Toldam-se duma cor monótona e londrina.

Batem os carros de aluguer, ao fundo,
Levando à via-férrea os que se vão. Felizes!
Ocorrem-me em revista, exposições, países:
Madrid, Paris, Berlim, Sampetersburgo, o mundo!

Semelham-se a gaiolas, com viveiros,
As edificações somente emadeiradas:
Como morcegos, ao cair das badaladas,
Saltam de viga em viga, os mestres carpinteiros.

Voltam os calafates, aos magotes,
De jaquetão ao ombro, enfarruscados, secos,
Embrenho-me a cismar, por boqueirões, por becos,
Ou erro pelos cais a que se atracam botes.

E evoco, então, as crónicas navais:
Mouros, baixéis, heróis, tudo ressuscitado
Luta Camões no Sul, salvando um livro a nado!
Singram soberbas naus que eu não verei jamais!

E o fim da tarde inspira-me; e incomoda!
De um couraçado inglês vogam os escaleres;
E em terra num tinido de louças e talheres
Flamejam, ao jantar, alguns hotéis da moda.

Num trem de praça arengam dois dentistas;
Um trôpego arlequim braceja numas andas;
Os querubins do lar flutuam nas varandas;
Às portas, em cabelo, enfadam-se os lojistas!

Vazam-se os arsenais e as oficinas;
Reluz, viscoso, o rio, apressam-se as obreiras;
E num cardume negro, hercúleas, galhofeiras,
Correndo com firmeza, assomam as varinas.

Vêm sacudindo as ancas opulentas!
Seus troncos varonis recordam-me pilastras;
E algumas, à cabeça, embalam nas canastras
Os filhos que depois naufragam nas tormentas.

Descalças! Nas descargas de carvão,
Desde manhã à noite, a bordo das fragatas;
E apinham-se num bairro aonde miam gatas,
E o peixe podre gera os focos de infecção!